Colostro bovino e a permeabilidade intestinal em atletas

 

A síndrome da permeabilidade intestinal é uma condição marcada pela redução da integridade protetora da barreira do intestino, essencial para a manutenção da homeostase do trato gastrointestinal. A perda da integridade da barreira intestinal favorece o desenvolvimento de doenças gastrointestinais e não gastrointestinais, como doença inflamatória intestinal, síndrome do intestino irritável, câncer colorretal, alergias, doença de Huntington e doença de Parkinson, visto que permite que a infiltração de endotoxinas do lúmen vaze para o interior do intestino, corrente sanguínea e/ou demais órgãos do corpo1, 2.

 

A permeabilidade intestinal aumentada não acomete apenas pacientes graves ou com doenças inflamatórias intestinais, mas também pessoas saudáveis que costumam usar antibióticos ou anti-inflamatórios não esteroides, sendo, também, muito frequente em atletas e em praticantes de atividades físicas extenuantes1, 3.

 

Esta condição é comum em atletas, pois são praticantes de exercícios intensos, os quais podem impactar negativamente o sistema digestivo e causar sintomas como dor abdominal, cólicas, flatulência, náuseas, vômitos ou diarreia, que afetam quase 70% desse público e ocorrem 1,5 a 3 vezes mais frequentemente entre atletas de alto rendimento1. Além disso, já foi comprovado que o exercício prolongado, especialmente em condições de ambiente excessivamente quente, pode acarretar aumento da permeabilidade intestinal1 e este público é constantemente exposto a multidões e viagens ao exterior, o que eleva sua exposição a patógenos, levando ao aumento de infecções. 

 

Pelo fato de, aproximadamente, 70% do sistema imunológico estar localizado no trato gastrointestinal e de evidências que sugerem que o exercício físico também pode perturbar o sistema imunológico do trato digestivo, qualquer dano intestinal poderá influenciar negativamente a função imunológica e desencadear uma resposta inflamatória no intestino do atleta, comprometendo seu desempenho1.

 

Felizmente, os suplementos alimentares à base de colostro bovino têm efeitos benéficos na permeabilidade intestinal em pessoas saudáveis, bem como em pacientes com doenças gastrointestinais e em atletas1, 3. O colostro bovino é composto por micro e macronutrientes, como vitaminas, minerais e proteínas, além de antioxidantes, citocinas anti-inflamatórias, fatores de crescimento e imunológicos, como imunoglobulinas, que podem contribuir para o aprimoramento do sistema imunológico1, 4, garantir o controle de infecções e estimular e restaurar a microbiota intestinal saudável5-7.

 

A normalização da permeabilidade intestinal pode resultar do poderoso potencial cicatrizante exercido pelo colostro bovino sobre a mucosa intestinal3, assim como dos diversos compostos bioativos presentes no colostro, como a lactoferrina, o fator de crescimento de insulina-I (IGF-1) e os ácidos graxos ômega-3 e -6, que influenciam diretamente na proliferação das células do intestino, possuem forte atividade antimicrobiana, favorecendo um ambiente ideal para o crescimento de bactérias benéficas no intestino, estimulam o crescimento e a reconstrução de células e tecidos intestinais e podem ser essenciais para melhorar a integridade da membrana celular interna do intestino1. Adicionalmente, o potencial prebiótico advindo do efeito bifidogênico da lactoferrina e dos oligossacarídeos do colostro bovino, também promove uma melhora da flora fisiológica do intestino3.

 

Dessa forma, nota-se que a suplementação de colostro bovino pode ser uma aliada na prevenção de doenças intestinais, alergias e doenças derivadas do declínio da imunidade, condições muito frequentes em atletas de alto rendimento.

 

Referências

  1. Dziewiecka, H., et al. Nutrients. 2022;14(12):2512.
  2. Twardowska, A., et al. International Journal of Molecular Sciences. 2022;23(6):3204.
  3. Hałasa, M., et al. Nutrients. 2017;9(4):370.
  4. Bagwe, S., et al. J Complement Integr Med. 2015;12(3):175-85.
  5. Guberti, M., et al. Nutrients. 2021;13(7):2194.
  6. Kim, J.H., et al. J Nutr Biochem. 2009;20(4):298-303.
  7. Chandwe, K., Kelly, P. Nutrients. 2021;13(6).

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